Uma vez respondi que já não era que fui e ainda não era quem eu queria ser. É difícil ser quem nós queremos ser pois não dependemos apenas de nós próprios , mas somos moldados pelo meio que nos rodeia. Sinto que sou três pessoas distintas , uma para a família , outra para pessoas sem relações familiares comigo e ainda outra quando estou sozinha. A última encontra-se sempre escondida , bem lá no fundo e por vezes nos piores momentos desaparece e eu fico perdida entre duas pessoas em que não me reconheço. é um golpe duro quando nos apercebemos que não somos aquilo que pensávamos ser , é ainda mais duro saber que talvez nunca cheguemos a ser que desejávamos.
Após termos o conhecimento de um suicidio ,eu e uma amiga estávamos a conversar sobre o que poderia ter levado aquele desfecho , quando ela me diz que até percebia o ponto de vista de quem se mata , na sua opinião é melhor morrer enquanto temos a mente repleta de sonhos , enquanto achamos que a nossa vida vai ser fabulosa e que vamos ter todas as oportunidades , do que ver os nossos sonhos a serem roubados e a ver a nossa vida a levar o rumo errado e vivermos 80 tal anos cheios de arrependimentos e ressentimentos.
Não soube o que lhe responder porque no meu íntimo tudo aquilo até fazia sentido.
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